... e o palhaço, o que é?

Incrível o filme "O Palhaço". Incrível e imperdível. Saí da sala de cinema
com a sensaçãode que foi um dos filmes mais lindos que vi recentemente.

Pra não ser só subjetiva, posso falar da fotografia que é linda, das cores do
filme que te transportam imediatamente ao circo (não se admire se durante
o filme, você começar a rir como se estivesse mesmo assistindo a um show
no picadeiro). Os diálogo surpreendentes, hora ingênuos, hora muito
elaborados, mas sempre inteligentes, te conduzem pelo universo pobre e
cheio de arte daquela trupe.

"O Palhaço"é um daqueles filmes que te transportam pra sua infância, que te
fazem rir de coisas simples e te fazem crescer, ao mesmo tempo. Como não se
identificar com a angústia de quem tenta descobrir o que é? Que sonha com
alguma coisa sem saber direito o quê? Que ri por fora, que faz rir, mas se sente
pequeno demais dentro de si mesmo.

Me lembrei de Charles Chaplin, sem nunca, na verdade, ter assistido a um
filme dele. Preste atenção na cena da carroça- Selton Mello com um lenço
em mãos e a habilidade de fazer rir sem palavras.

Aliás, todos os elogios caberiam aqui ao Selton Mello. Mas prefiro ressaltar
uma cena, que pra mim, é exemplo concreto do talento dele. A troca de olhares
entre o personagem dele e o de Paulo José, já no fim do filme, que vem depois
da frase que também é exemplo da filosofia simples e profunda do filme -
"cada um faz o que sabe, o gato bebe leite... eu sou palhaço". Sabe aquele olhar
que te faz sentir exatamente o que o personagem deve estar sentindo? Pois é
disso que estou falando...

Saí do filme com a alma lavada. Continuei carregando minhas angústias,
minhas dúvidas, continuei vendo em mim o palhaço. Mas nada como ver
os pequenos dramas da vida real, retratados pela arte. Quem disse que a arte
ajuda a viver estava certo. E plageando minha colega Roberta Zampetti, a arte
devia fazer parte da cesta básica!











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