Imagine viver uma grande crise, mergulhar em uma angústia profunda. Criar uma realidade ou um escape, como se fosse possível se enfiar em uma concha e ficar protegido de tudo. Os dias passam entre a realidade e a fantasia e você conta com a solidariedade de amigos, vizinhos, de uma comunidade inteira, que embarca na sua ilusão, delírio, fuga. Faz-se a passagem, cumpre-se o ritual, a terapia tem o seu efeito e você pode dizer adeus aos medos, ao pânico, pode se despedir do escape.
Este é um resumo muito superficial do filme "Lars and the perfect girl" (A garota ideal) ao qual assisti hoje. Fui acompanhando a tragetória de Lars, homem de 27 anos que compra uma love doll (bonecas vendidas como artigo sexual) e passa a se relacionar afetivamente com ela- mas não sexualmente.
O mais bonito do filme é ver como a comunidade abraça a angústia de Lars e se transforma em agente desse processo terapêutico dele. Fiquei tocada com tamanha solidariedade. Quantas vezes me senti desamparada, esquecida ou, mais apropriado dizer, tendo que enxugar as lágrimas, forçar um sorriso e tocar os dias porque o mundo não para por causa dos nosso problemas? Fiquei pensando em como seria bom poder viver a minha dor, entrar na minha concha e sentir que o meu tempo era respeitado.
Me lembro agora de uma palestra que assisti no ano passado. A coordenadora falava sobre o crescimento por meio da dor. Questionada a respeito de como os que estão em volta devem agir para ajudar quem sofre a se reerguer, ela deu a resposta mais surpreendente e bonita que já ouvi. Quando a dor é muito grande, disse ela, pode ser insurpotável sair daquele lugar. O que se quer naquele momento, muitas vezes, é continuar ali, por um tempo. Pode ser que a melhor forma de ajudar quem a gente ama é dizer que a dor é mesmo profunda e que estamos ali, que a pessoa não está sozinha, abandonada em meio a tanta dor.
Voltando ao filme, o que eles fazem- a comunidade- é entrar no delírio de Lars. E no momento em que decidem ser solidários, passam a ser tocados, remexidos pelo que o sofrimento dele aflorou em cada um. Bianca- a boneca metade brasileira, metade dinamarquesa- passa a fazer parte do dia a dia, e por que não dizer- do delírio- de cada um.
O título do filme nos remete a tudo, menos ao ponto que a história mais me tocou- a solidariedade, o respeito ao outro e ao processo que cada um cria pra dar conta da vida.
Valeu!!!
Este é um resumo muito superficial do filme "Lars and the perfect girl" (A garota ideal) ao qual assisti hoje. Fui acompanhando a tragetória de Lars, homem de 27 anos que compra uma love doll (bonecas vendidas como artigo sexual) e passa a se relacionar afetivamente com ela- mas não sexualmente.
O mais bonito do filme é ver como a comunidade abraça a angústia de Lars e se transforma em agente desse processo terapêutico dele. Fiquei tocada com tamanha solidariedade. Quantas vezes me senti desamparada, esquecida ou, mais apropriado dizer, tendo que enxugar as lágrimas, forçar um sorriso e tocar os dias porque o mundo não para por causa dos nosso problemas? Fiquei pensando em como seria bom poder viver a minha dor, entrar na minha concha e sentir que o meu tempo era respeitado.
Me lembro agora de uma palestra que assisti no ano passado. A coordenadora falava sobre o crescimento por meio da dor. Questionada a respeito de como os que estão em volta devem agir para ajudar quem sofre a se reerguer, ela deu a resposta mais surpreendente e bonita que já ouvi. Quando a dor é muito grande, disse ela, pode ser insurpotável sair daquele lugar. O que se quer naquele momento, muitas vezes, é continuar ali, por um tempo. Pode ser que a melhor forma de ajudar quem a gente ama é dizer que a dor é mesmo profunda e que estamos ali, que a pessoa não está sozinha, abandonada em meio a tanta dor.
Voltando ao filme, o que eles fazem- a comunidade- é entrar no delírio de Lars. E no momento em que decidem ser solidários, passam a ser tocados, remexidos pelo que o sofrimento dele aflorou em cada um. Bianca- a boneca metade brasileira, metade dinamarquesa- passa a fazer parte do dia a dia, e por que não dizer- do delírio- de cada um.
O título do filme nos remete a tudo, menos ao ponto que a história mais me tocou- a solidariedade, o respeito ao outro e ao processo que cada um cria pra dar conta da vida.
Valeu!!!
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