O prazer de todo jornalista é ter um boa história. Acompanhar o desfecho de um caso que se apresenta complicado, misterioso, cheio de tramas e poucas explicações convincentes. Nosso complexo de detetive entra em ação e somos guiados pela sede, fome e gana de entender, resolver e compartilhar tudo aquilo. Se houver algum tipo de injustiça no meio da trama, no meu caso, o sininho bate mais forte.
Pois a história que conto agora chegou até nós na sexta-feira passada. Em busca de um assunto para o jornal do dia, encontrei o caso do homem de trinta e poucos anos que lutava para que o advogado lhe repassasse o dinheiro da indenização trabalhista. Em resumo: o homem sofreu um acidente de trabalho, foi mandado embora, ficou impossibilitado de trabalhar e decidiu entrar na justiça contra a empresa. O advogado o abordou na saída do Tribunal Regional do Trabalho, defendeu e venceu a causa, conseguiu uma procuração do cliente para receber o dinheiro e simplesmente não repassou o valor devido a ele.
O homem vive hoje com o filho em um barraco minúsculo, sem nenhuma estrutura. Recebe doações de alimento e sei lá como sobrevive ali. Além da indenização de 30 mil reais, tem direito à uma pensão mensal de 110, até completar 65 anos. Nem isso recebia.
Entramos no circuito, gravamos entrevista com ele e com a nova advogada procurada pela família. O antigo profissional não nos atendeu. Na segunda-feira, entrou em contato conosco, dizendo que faria uma reunião com o cliente e que tudo não havia passado de um mal entendido. Ligamos mais algumas vezes, tentamos agendar uma entrevista, mas ele se negou a nos receber.
Hoje foi o dia da tal reunião. Não pudemos acompanhar, mas soubemos que, ao que tudo indica, tudo se resolveu. O homem saiu de lá com um cheque de quase dezenove mil reais (ele já tinha recebido 3 mil e o resto corresponde aos honorários) e vai receber a pensão a partir de agora.
Nossa história, que começou como uma denúncia, foi arquivada. Vibramos com o final feliz, lamentamos não poder compartilhá-lo. Ainda assim, da minha parte (e, certamente, posso falar pelos outros colegas envolvidos), fica a grata satisfação do dever cumprido. E, claro, o relato - ainda que discreto, sem holofotes, sem nomes ou maiores detalhes. Participar de um final feliz desses, infelizmente, tem sido raro.
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