Futebol, carnaval, caipirinha e…
cirurgia plástica. O Brasil ganhou, nesta semana, um novo rótulo (ou título,
pra ficar mais simpatico). Somos os campeões mundiais em número de cirurgias
plásticas realizadas para fins estéticos. No ano passado, foram contabilizadas
1 milhão e 49 mil operações no país, segundo a Sociedade Internacional de
Cirurgia Plástica Estética.
Descobri isso hoje cedo, assistindo a um
telejornal. O dado serviu como chamada para a matéria que alertava para os
cuidados que devem preceder um procedimento estético. Não prestei muita
atenção, até porque não pretendo fazer nenhuma plástica acurto ou médio prazo.
Mas me lembrei de algumas situações que minhas amigas e eu vivemos e que, na
minha opinião, refletem o porquê dessa nossa liderança.
Dias atrás, a
dermatologista de uma amiga sugeriu que ela começasse a fazer aplicações de botox para
prevenir linhas de expressão. A paciente tem 33 anos, um rosto super jovem e
cultiva hábitos como o uso do filtro solar e de cremes anti-rugas, além de
dormir bem, beber muita água, enfim, tudo o que é constantemente recomendado
por médicos.
Há uns 3 anos, decidi procurar um
ortodontista pra saber se havia necessidade de usar, novamente, aparelho. Ele
não só me apresentou as opções mais modernas no mercado, como sugeriu que eu
poderia, ainda, fazer uma cirurgia no maxilar para tornar meu rosto ainda mais
simétrico. Eu fiquei olhando pra ele, com cara de “passada”e pensando em como
havíamos chegado àquela conversa. Afinal de contas, eu queria apenas alinhar os
dentes.
Recentemente, uma onda de sinceridade
atingiu as celebridades brasileiras. Nossas musas das capas de revista e
programas de tv decidiram posar, sem maquiagem, fazendo uma espécie de
manifesto pela liberdade e pelo resgate da autoestima das mulheres comuns.
Porque sair de casa correndo, atrasada, e ser bombardeada por imagens de
mulheres perfeitas e felizes em tudo o que é meio de comunicação desafia,
mesmo, a autoconfiança. Mas não sei, sinceramente, se é o suficiente para destrui-la
ou convencer alguém a ir para a mesa de cirurgia.
Desconfio que mensagens ouvidas
diariamente pela família, amigos, colegas de trabalho, vizinhos; recados e
atitudes sutis de supervalorização da beleza, que chegam até nós por essas
mesmas pessoas, nos fazem perder mais o equilíbrio do que a voz dos meios de
comunicação. Como quando a menina só ou quase sempre é elogiada pela beleza,
como se lhe fosse o único e mais importante atributo. Ou quando homens e
mulheres adotam cuidados de beleza porque aquilo é o que o outro espera e
deseja. Ser magro, por exemplo. Lembro que há alguns anos, depois de passar uma
temporada fora do Brasil, voltei alguns quilos mais magra – ainda mais do que eu
sempre fui. Foi uma decisão difícil a de retornar, que me abalou visivelmente.
Pra resumir, estava de volta, me sentindo péssima, frágil, mas magra, como uma
modelo. E embora faltasse brilho ao meu olhar, ouvia elogios de todas as
partes, porque tinha no corpo as medidas certas, valorizadas por um padrão
de beleza. Acho que essa é a primeira
vez em que falo sobre isso. Talvez porque me parecia muito surreal me sentir
tão infeliz e, ao mesmo tempo, ter me tornado modelo de beleza pra tanta gente.
Poucas foram as que estranharam o meu novo peso e se preocuparam comigo. Essas,
sim, me enxergaram.
Será que é isso o que anda faltando
entre nós? Gente que nos enxergue, que possa nos estender a mão e dar colo? A
habilidade de olhar pra si mesmo e ver o que existe, de fato, ali?
Pra não deixar perguntas soltas, já digo
que sim, devo, algum dia, me submeter a um procedimento estético. Não sou
contra, nada disso! Considero, apenas, essas mudanças como a cereja do bolo. Elas
decoram, tornam mais atraente, ajudam apenas a compor o que foi construído nas
camadas abaixo. E quantas vezes são deixadas de lado porque o que
interessava, mesmo, era todo o resto?
Marina, para mim ao ver cada foto sua.... tenho mais certeza que você é perfeita
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